Como eu disse no post anterior viajei para um lugar que não visitava há muito tempo, fui ali na terrinha passar o fimdi.
No início desse mês fiquei sabendo que uma prima minha muito querida que mora em João Pessoa ia casar, conversei com marido e ele abraçou a idéia da minha viagem. Aí fiquei pensando: Pô, vou até Jampa e não vou pra Recife, isso é uma heresia, depois de 6 anos sem visitá-la a saudade dói. Então, em menos de 5 minutos tracei meu plano: Ir para o casamento em Jampa que seria na sexta, sábado cedinho rumar para Recife, encontrar uma super amiga minha e ir direto para Porto de Galinhas matar a saudade e depois visitar algumas “tias-tortas” (tias que não são tias de verdade) que tenho e rumar de volta para São Paulo.
Como eu ia com a minha mãe, ela e a minha vó deram um jeito e fizeram com que a minha viagem fosse melhor do que eu imaginava. Na quinta à noite, ao invés de sair de Sampa direto para Jampa, fomos para Recife. Essa mudança nos planos fez com que conseguíssemos colocar o papo em dia com a vó, tinha inhame com carne de sol de janta quando chegamos e na sexta fomos almoçar na casa da minha tia (essa é de verdade) para vermos meus priminhos, cardápio: Feijão verde com galinha guisada (acho que é assim que eles chamam – hoje eu sou a nordestina mais falsiê que existe porque nunca lembro o nome das comidas de lá).
Depois do almoço rumamos para Jampa de carro, estrada horrível, motorista braço, até eu dirijo melhor que ele, minha mãe quase enfartou no caminho. Chegamos em cima da hora do casamento, que era às 17 horas. Nos arrumamos correndo na casa do meu tio e fomos para o lugar da festa. Que por sinal era maravilhoso, diz aí se não é lindo?! Com vista para a praia e tudo.

Pena que o noivo atrasou e o casamento aconteceu à noite. Apesar da brisa, estava um calor do caramba e a tia Jú aqui doida por uma Xkol gelada, mas qual a minha surpresa ao ver que no casamento só servia Wiski. Ô meu pai, um calor do cão e tenho que tomar isso? Tá bom, já que insiste...vai tu mesmo. Na festa encontrei pessoas que não via há anos e anos, adorei! As mulheres dos meus primos que não sabiam quem eu era queriam me matar tipo: quem é essa galega, que tá sozinha saracutiando pra cima do meu marido??? Hahahahahaha, tendo em vista que o clima não era agradável, fui tomar meu Wiski, com meu tio que passou a noite falando que tinha parado de beber e fumar, mas que não negou alguns tragos na bebida do mal. Muita, muita risada, passei a noite falando que era festa de novela da Globo por causa do visú e da brisa. Queria muito, muito ter tomado uma cerveja, mas tive que deixar para o dia seguinte.
Tendo em vista que a comida do bufê estava péssima, a sabichona aqui bebeu a noite toda sem comer nada e como o calor é um ótimo ingrediente para derrubar cachaceiro, acordei passando mal, muito mal mesmo, a ponto de ter que parar na estrada porque quando minha vó e minha mãe falavam da festa eu sentia o cheiro do Wisky e meu estômago revirava.
Algumas horas depois estávamos a caminho de Porto de Galinhas, em pé em um busão lotado. Tivemos tanta sorte que o ônibus que pegamos entrou em todas as bibocas que existiam de Recife até Porto. Mas como eu e minha amiga não nos víamos havia bastante tempo, aproveitamos a viagem para colocar o papo em dia.
Ao chegar em Porto e ver isso aí embaixo esqueci de todo stress de São Paulo e do tempo em pé no ônibus e me perguntei como pude ficar tanto tempo sem visitar esse lugar.
Escolhemos uma barraquinha e sentamos para conversar, tomar sol e....claro, tomar uma xkol! Passei tão mal do caminho de jampa a Recife, que quando cheguei em porto já estava curada da ressaca e pronta para minha cervejinha gelada.
Quem vai a Porto de Galinhas têm direito a: comer ensopadinho de aratu, comer agulhinha frita, comer amendoim cozido (nem preciso falar da xkol, né?), a tomar banho em águas quentes e em piscinas naturais, comprar galinhas para enfeitar a casa e quem for sortuda assim como eu, pode levar uma puta amiga (uma amiga do caraleo e não uma amiga puta, heim minha gente) e passar o dia conversando sobre o ontem, o hoje e o amanhã.
Não tomei banho nas piscinas porque eu tinha que ter ido mais cedo, mas com esse lance de viajar de lá pra cá e daqui pra lá, quando chegamos a maré estava subindo. Mas comi ensopadinho de aratu (o aratu é um parente do caranguejo, só que tem a cor bem avermelhada) que as tias vendem na praia, fresquinho...fresquinho...E comi agulhinha frita. Antes de ir embora eu queria ter comido mais um ensopadinho de aratu, mas não estava com fome e acabei esquecendo e só de lembrar do dito me dá água na boca.
A conversa com a amiga foi ótima. Ela é a minha amiga desde meus 12/13 anos, quando mudamos para Campo Grande, uns dois anos depois os pais dela também foram e com algumas coisas que aconteceram acabamos nos tornando muito, muito mais amigas. Relembramos causos antigos, falamos sobre nossos casamentos, sobre filhos, sobre maridos, sobre casa, mães, irmãs e sobre nós mesmas, e ela me fez lembrar de uma Juliana que eu tinha esquecido, mas que desde essa conversa está ressurgindo das cinzas, pronta para recomeçar. Cacau, te amo!
Depois de várias biritas, comilanças, flashes (porque comigo é assim, cada mergulho é um flash), demos uma voltinha no calçadão de porto, comprei umas lembrancinhas de mim para eu mesma e fomos pegar o busão de volta para Recife. Jantamos na casa dessa minha amiga, a mãe dela é um Az na cozinha, e em minha homenagem rolou rocambole e bobó de camarão e comi rezando.
Domingo, dia de dar tchau. Minha amiga foi na casa da minha tia onde eu estava com a minha vó e mãe, e fomos à praia dar uma olhadela em Boa Viagem que eu não tinha visto ainda, tomar a saidera e comer camarão. As 3 me levaram no aeroporto e voltei para São Paulo com o coração quentinho e feliz por ter resolvido ir.
Essa foi a primeira vez que viajei sem o marido, antes só tinha viajado uma vez sem ele, mas porque ele tinha ido pescar. A princípio ele tinha dito que iria aproveitar a minha viagem para ir pescar, mas como não deu certo ele ficou em casa e eu gostei, pra ele ver como é ruim ficar sozinho (porque ele tem o hábito de viajar pra pescar e me deixar sozinha e quando reclamo acha ruim). Na sexta acho que ele não sentiu tanto, mas no sábado e no domingo ele ligava o tempo todo, coisa que não é comum para o meu marido que às vezes me parece um ser gélido. Mas na próxima....prefiro ir com ele.
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