Tá, vai parecer que estou sendo puxa-saco, mas após lerem esse texto vocês verão que não é nada disso.
A história de amor de hoje não possui fotos, mas as palavras falam por si só. Ao ler parecia poesia para os meus "olhos".
Ela demorou para mandar, disse que estava em dúvida porque a história estava longa. Pra mim, super valeu a pena esperar.
Acredito que por ser essa a última história que tenho na manga, a 20ª (número redondo, amo!), fecharemos com chaves de ouro essa saga. Ao meu ver, essa história não é a mais bonita, afinal de contas não existe história de amor melhor que a outra, os acasos fazem cada uma a mais linda de todas ao seu modo.
Bom, vou parar de enrolação e vou ao que interessa.
Tudo começou quando...
Nossos destinos se cruzaram em 14 de fevereiro de 2002, na lista do vestibular mais concorrido do país. Não sei dizer exatamente qual foi o momento em que percebi nos corredores da faculdade, mas sei que foi mágico. Meu coração parou. Algum tempo depois consegui me aproximar dele, fazendo amizade com seus amigos - o que não era difícil pra mim, já que sou muito sociável. Ele sempre mais quieto, porém atencioso com todos, estava na mesma roda de amigos, o que facilitava para mim. Estava sempre de preto, roupas que deixavam claro seu gosto pelo rock. Um dia pensei que tinha pirado, mas era real: ele estava fardado. Era da Aeronáutica e eu nem poderia sonhar que ficasse tão lindo em uma farda. Meu coração parou e o pulmão esqueceu o tinha que fazer.
E se tornou realidade porque...
Nos falávamos bem pouco, mas percebia seu olhar me acompanhando por onde eu fosse. Ficamos alguns meses sem nos ver por causa de uma longa greve e, quando voltamos, senti vontade de correr para os seus braços, como se pudesse! Aquela sensação me machucou. Como poderia sentir vontade de correr para os braços de um estranho? Estava apaixonada? Sim, estava completamente apaixonada. Feita essa descoberta, tive a decepção de encontrá-lo, dias depois, com sua namorada na faculdade. Me senti idiota, infantil e tudo que for possível pensar. Tentei me afastar dele, tirá-lo do pensamento e não entendia por que era tão difícil. Algum tempo depois ele terminou o namoro e se aproximou de mim de forma que conversávamos mais, estudávamos juntos e, um belo dia, 27 de novembro, recebi um e-mail que dizia que eu era sísmica e sitiadora, entre tantas coisas lindas. Eu era capaz mesmo de abalar e conquistar um homem assim? Não conseguia mais trabalhar, só queria que a hora passasse para encontrá-lo. Naquela noite de chuva foi nosso primeiro beijo. O mundo parou, meu coração desmaiou, meu pulmão teve uma síncope, meus outros órgãos mudaram de lugar.
Só que nem tudo é perfeito...
Nosso namoro era lindo, delicado, pleno. Os dias que passei ao lado dele eram tão mágicos que gostaria de contá-los um a um aqui. Conversar era bom, namorar era bom, dormir e acordar ao seu lado era bom, viajar era bom, ficar em casa era bom, sua companhia era perfeita. Pela primeira vez na vida eu deixava o que havia ao meu redor para me dedicar a uma pessoa apenas. Cumpria com minhas obrigações e o tempo, o mundo, a vida, tudo era nosso.
Pena que as coisas não continuaram perfeitas. Ele tinha um ciúmes doentio e nossa imaturidade estragou tudo. Ele me cercando de dúvidas, eu pensando que isso era um indício de abandono e colocamos tudo a perder. Por causa do ciúmes brigamos, mas brigamos muito. De abril a setembro de 2003 fomos e voltamos tantas vezes que perdi a conta. Ficamos separados até dezembro e voltamos.
Em janeiro de 2004 ele me pediu para assistir ao filme Um homem de família, enquanto ele decidia se iria para o Exército ou não. Decidiu por ir e isso implicava em um curso de dez meses, o que me dizia que desistiria de mim (por causa do filme). Resisti o quanto pude à distância, aos problemas que se agravavam em relação ao ciúmes dele, mas não aguentei. Em um ato de abandono, nos deixamos. Não terminamos como normalmente se faz. Eu desisti. Ele desistiu. Não falamos sobre isso. Fui visitá-lo um dia no curso, que ficava bem longe de São Paulo e voltei decidida a nunca mais vê-lo. Isso foi em abril de 2004.
A roda da fortuna girou...
O tempo passou, ele voltou do curso, se casou com a ex namorada, quase morri de desgosto, pensando que ele estava com ela e comigo ao mesmo tempo. Passou uns meses, conheci um rapaz, comecei a namorá-lo; seis meses depois quis terminar, não tive coragem, ele era bom, o namoro era calmo. Dois anos depois me casei, com toda pompa e circunstância, todos os preparativos com cuidado, carinho, só que a vida traçou seus caminhos e não gosta de interferências. Não era feliz, não fazia feliz. Ele estava sempre insatisfeito e eu, infeliz. A separação foi inevitável.
E não sabemos o que nos aguarda pela vida...
Foi então que minha promessa se quebrou: nos reencontramos. Tomei a iniciativa, mandei-lhe um e-mail felicitando pelo aniversário, entrava ele no retorno de saturno, assim como eu, era hora de colocar tudo nos seus devidos lugares, inclusive nossos corações. Ele, por sua vez, tomou a iniciativa de propor um encontrou, ou melhor, um reencontro. O amor que sentimos um pelo outro estava ali, latente, verdadeiro, nas palavras, em nós.
Após tantos dias de chuva, no dia de nos vermos havia uma tarde de sol, tal e qual àquelas em que namorávamos, em que ele vinha me buscar para irmos juntos até a faculdade e que depois eu rezava para que não existissem, pois me doía lembrar desses dias, o desejo de que ele estivesse ali fora, me esperando.
Tom Bloch escreveu versos perfeitos para aquele instante... "o coração dispara mesmo depois de tanto tempo, segura minha mão e eu seguro dentro o sentimento, a sua mão segura o momento e eu presos dentro dos seus dedos, o coração dispara e eu paro, sem nenhum pensamento".
Conversar por horas sem coragem de nos tocarmos, olhos nos olhos, música ao fundo - sim, porque toda nossa história tem muitas músicas e só não as coloquei aqui porque já está imenso esse relato - e, de repente, não mais que de repente, nos entregamos a nós.
Vinte dias depois ele se separou também, mas a história é um pouco mais complicada do lado dele, pois tem uma filhinha, que por sinal nasceu no mesmo dia que eu (siiiim, era para nunca mais se esquecer de mim mesmo), então é preciso preservá-la acima de qualquer coisa.
Só que Nana Caymmi diz:
Eu sei que você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei que você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
E parece que essa é nossa máxima mesmo, fomos pegos novamente pela distância. Lá está ele em um curso de três meses, a quase mil quilômetros de mim, sem ao menos poder dar notícias.
Porém, não sei explicar a vocês como, mas estou tranquila. Dessa vez não precisei ver filme nenhum, ao contrário, ele deixou uma lista de filmes para eu assistir até seu retorno (vai ter chamada oral), o teto do banheiro para lixar e muitas promessas entre nós dois.
Então nossa história ainda não ganhou o seu "e foram felizes para sempre". É uma história que supera o tempo, espaço e até mesmo nossas tentativas de matá-la. É uma história que tem nos ensinado o que é amar de verdade, o que é superar nossos defeitos, porque não existimos um sem o outro, por mais que sejamos livres, independentes e auto-suficientes. Nossa história prova que amor não depende de nada disso. É amor e fim.
Jú diz: Sissi, flor, me ensina a usar as palavras dessa forma porque gamei!!! E eu que achava que até escrevia bem, rá...#pagueiumpau
Qualquer erro de português é meu, pois tive que digitar o texto todo, pois o blog não aceita as configurações do word (e não vou reler porque minha história de amor tá aqui me chamando pra tomar umas, uhuuu!).
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